Uma nova fronteira? Um novo nicho de mercado? Oportunismo? Quem teria coragem de assistir a uma apresentação de Angra e Sepultura em Salvador em pleno carnaval baiano? E pior, no bloco/esquema liderado por Carlinhos Brown?
Duas das maiores banda de metal do Brasil decidiram aceitar o convite para participar da folia em Salvador no dia 6 de fevereiro, sábado, no Circuito Dodô (Barra-Ondina) – provavelmente em cima de um trio elétrico.
Na grande muvuca que é o carnaval de Salvador, são poucas as pessoas que realmente ouvem alguma coisa do que é tocado nos trios elétricos.
Por mais pesado que seja o som, será que alguém vai prestar a atenção? Na verdade, será que alguém saberá quem são aqueles cabeludos? Será que alguém vai se interessar por bandas de rock alienígenas mas ruas da capital baiana?
Os músicos do Angra ressaltam a importância da presença da banda na Bahia, em pleno carnaval, como uma exaltação à diversidade cultural baiana.
Na divulgação do projeto, o quinteto paulistano informa que participará do bloco sem cordas que será uma homenagem ao rock – mprojeto que surgiu da amizade e parceria de anos entre o empresário Paulo Baron, diretor da Top Link Music, e o cantor Carlinhos Brown.
O
camarote andante intitulado “ Black Rock” foi anunciado ano passado
durante a abertura do Sarau do Brown 2015 que contou também com a
participação de músicos da banda Angra -e existe a promessa de que não
será apenas um projeto voltado para o período de carnaval.
Brown, por sua vez, já colaborou com Sepultura
no álbum “Roots'', de 1996, ainda com Max e Iggor Cavalera. A amizade é
antiga e se adequa aos conceitos e interesses do guitarrista Andreas
Kisser, que nunca negou interesse em outras áreas da música, em especial
em ritmos regionais brasileiros e sua mescla com o thrash metal.
Ainda
que as parcerias tenham sido firmadas no ano passado e que as duas
bandas manifestem entusiasmo diante do projeto, ainda assim pairam
dúvidas sobre a conveniência de colocar dois ícones do metal mundial nas
ruas de Salvador – ou até memso em cima de um trio elétrico.
Por
outro lado, não deixa de ser um plano ousado e audacioso dos músicos em
tentar “expandir'' o campo de interesses e a possibilidade atingir
novos públicos. É uma experiência no mínimo curiosa.
Os
tradicionalistas do rock já estão chiando; os foliões baianos, por
enquanto, não estão dando a mínima. Comercialmente, a empreitada deverá
ser interessante, ou então os dois grupos não embarcariam nesta canoa.
Mas será que, artisticamente, faz sentido, por mais que as duas bandas
bradem que sempre buscam novos interesses e novos horizontes? (combaterock.)


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