Degustare

Carregando ...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Caetano Veloso e Gilberto Gil evitam polêmica durante show em Israel

Caetano Veloso e Gilberto Gil tocaram nesta terça-feira (27) em Tel-Aviv para 8 mil pessoas, em sua maioria da comunidade latina e brasileira de Israel, em uma apresentação na qual quase não se dirigiram aos presentes e que esteve cercada de polêmica. Os dois artistas foram recebidos pelo público israelense com calorosos aplausos e apresentaram músicas que levantaram o Estádio Menorah Arena. Os dois cantaram, riram, se divertiram e dançaram diante dos espectadores, mas não fizeram praticamente nenhum comentário. Também pediram aos presentes que cantassem trechos de suas canções.

Assim como aconteceu com outros artistas, o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) tinha pedido aos dois que cancelassem sua apresentação em Israel, por considerar que isso representaria um apoio à ocupação, mas Gil e Caetano decidiram manter a agenda. "Não se pode misturar a música com coisas de política. Não viemos aqui por uma situação política, mas para ouvir sua música. Acredito que eles vieram com grande personalidade dizendo: 'Nos perdoem, mas temos um público aqui que quer nos ver", disse à agência EFE Ahava Ayel, uma admiradora colombiano-israelense da dupla. Seu companheiro, o judeu brasileiro residente em Israel, Yuri Lindenbaum, garantiu que para ele "é muito emocionante poder relembrar a música brasileira aqui em Tel Aviv e ver Gilberto Gil e Caetano Veloso. Estou muito feliz e muito emocionado".

Os dois artistas visitaram no domingo (26), ao lado de ativistas israelenses, o povoado palestino de Susya, na Área C da Cisjordânia, que está sob controle militar e administrativo israelense e vive com ameaças de remoção iminentes. "Decidimos não cancelar o show porque preferimos falar, dialogar e também porque queríamos aprender mais. Estive em Israel várias vezes e sempre amei este lugar. Mas sei que a situação é difícil e dura", disse Caetano em entrevista coletiva ontem, durante um encontro com artistas israelenses. "Ontem fui a Susya e voltei querendo dizer: é preciso parar a ocupação, é preciso parar a segregação", disse Caetano, que acrescentou: "Quase chorei quando fomos a Susya porque o que ouvi de um ex-soldado [israelense] e de um palestino que vive ao sul de Hebron é duro demais".

Caetano declarou que "a situação é difícil demais", mas assinalou que ele é "apenas um visitante" que veio para cantar. Seus comentários, no entanto, deram o que falar e lhe renderam muitas mensagens de reprovação nas redes sociais.

 
Gilberto Gil e Caetano Veloso também se encontraram ontem com o ex-presidente israelense Shimon Peres, que os recebeu no centro que leva seu nome e onde se reuniram com um grupo de crianças judias e palestinas para expressar seu apoio ao diálogo e a tolerância. "Não consideramos, nem por um momento, cancelar nosso show em Israel. Nós amamos Israel e estamos contentes de nos apresentar em um lugar onde há esperança de paz", declarou Caetano, segundo um comunicado do Centro Peres da Paz.

Os pedidos de boicote ao show se intensificaram no mês de maio, quando um dos fundadores do Pink Floyd, Roger Waters, e o cardeal sul-africano Desmon Tutu, destacaram sua admiração pelo trabalho de Caetano e Gil e seu "histórico compromisso com a luta pela justiça, a liberdade e a igualdade".
Os dois lhes lembraram que "o mês de julho marcará um ano do aniversário dos ataques israelenses contra Gaza durante o qual Israel matou mais de 2 mil palestinos, incluindo 500 crianças", em alusão à última ofensiva militar em Gaza. "Mais de 100 mil pessoas permanecem sem lar devido a estes ataques", dizia a carta do BDS que foi divulgada pelas redes sociais. O movimento BDS nasceu na sociedade civil palestina em 2005 como um apelo ao boicote até que Israel "cumpra a lei internacional e os direitos palestinos" e se estendeu nos últimos anos até conseguir o desvio de fundos de consórcios israelenses relacionados com a ocupação ou o boicote a acadêmicos israelenses. G1

terça-feira, 21 de julho de 2015

Rolling Stones se apresentará em São Paulo em 21 e 23 de fevereiro de 2016


Está oficialmente confirmado. A banda Rolling Stones se apresentará em São Paulo, no estádio Allianz Parque, do Palmeiras, nos dias 21 e 23 de fevereiro de 2016, respectivamente domingo e terça-feira. A informação foi confirmada ao UOL pela assessoria de imprensa da AEG, empresa que administra o estádio. Ainda segundo a AEG, a banda de Mick Jagger e Keith Richards também deve tocar no Rio de Janeiro no início de 2016, mas ainda não foi confirmado o local do show nem a data. Também não foram informados valores de ingressos. 

Administrador do estádio do Palmeiras, o grupo AEG também engloba a AEG Live, empresa que é detentora da "ZIP Code Tour", a turnê global em comemoração dos 50 anos dos Stones. Rumores de que a banda se apresentaria com a turnê comemorativa no Brasil circulam desde 2014. Parte da imprensa chegou inclusive a noticiar que o grupo tocaria no país no segundo semestre de 2015. De acordo com a AEG, a passagem do Rolling Stones pelo Brasil realmente estava prevista para acontecer entre o final de novembro e o início de dezembro deste ano. Os planos, no entanto, foram alterados porque a banda deve entrar em estúdio para gravar um novo álbum após ter encerrado sua turnê norte-americana, que contou com shows em 15 cidades, entre Estados Unidos e Canadá. 

O último show que os Stones fizeram no Brasil foi em fevereiro de 2006, quando tocaram de graça para cerca de 1,2 milhão de pessoas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Fonte: Uol

terça-feira, 14 de julho de 2015

No Brasil, 13 de julho é conhecido como Dia Mundial do Rock

Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof organizou o Live Aid, um show simultâneo em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos. O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia. O evento chamou a atenção por contar com a presença de muitos artistas famosos na época. Entre os participantes, estavam The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Elton John, Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins (que tocou nos dois lugares), Eric Clapton e Black Sabbath. A celebração é uma referência a um desejo expressado por Phil Collins, que gostaria que aquele fosse considerado o "dia mundial do rock". Os shows foram transmitidos ao vivo pela BBC para diversos países e abriram os olhos do mundo para a miséria no continente africano. A data também coincide com o dia da formação do grupo The Rolling Stones, formada em 13 de Julho de 1962.

Em 2005, 20 anos depois do primeiro evento, Bob Geldof organizou o Live 8, uma nova edição com estrutura maior e shows em mais países. Dessa vez o objetivo foi pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres e erradicar a miséria do mundo. No Live 8 o Grupo de Rock Britânico Pink Floyd se reuniu em sua formação clássica pela primeira vez depois de 20 anos de separação.

Apesar de se chamar "Dia Mundial do Rock", a data só é comemorada no Brasil. Ela começou a ser celebrada em meados dos anos 1990, quando duas rádios paulistanas dedicadas ao rock - 89 FM e 97 FM - começaram a mencionar a data em sua programação. A celebração foi amplamente aceita pelos ouvintes e, em poucos anos, passou a ser popular em todo o país. Entretanto, essa data é completamente ignorada em todo o resto do mundo. Outros países e localidades não têm uma data específica para celebrar esse estilo musical ou têm outras datas. Nos EUA, poucas pessoas comemoram a data no dia 9 de julho, em homenagem ao programa "American Bandstand, de Dick Clark, que estreou nessa data. O programa ajudou a popularizar o rock and roll nos EUA.

Por ser uma data definida arbitrariamente e sem respaldo em outros países, especialistas em música contestam essa escolha. Eles sugerem outras datas que seriam mais significativas para a história do rock e que, portanto, mereceriam ser o verdadeiro Dia do Rock. Entre elas, estão o dia 5 de julho, quando, em 1954, Elvis Presley gravou uma versão mais rápida do blues That's All Right e 9 de fevereiro, quando, em 1964, a banda The Beatles se apresentou pela primeira vez nos EUA.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Keith Richards lança seu primeiro álbum solo em 23 anos

O guitarrista dos Rolling Stones Keith Richards anunciou o lançamento de seu primeiro álbum solo em 23 anos, com faixas que revelam influências do blues, do country e do reggae. Além de tocar guitarra, Richards canta nas faixas de seu terceiro álbum, uma raridade para os fãs dos Stones que estão acostumados com a voz do líder Mick Jagger.
 
"Crosseyed Heart", que será lançado no dia 18 de setembro, conta com a colaboração da cantora de jazz e blues Norah Jones, o cantor de R&B Aaron Neville e dois colegas frequentes de Richards, o baterista Steve Jordan e o guitarrista Waddy Watchel. "Não há nada como entrar em um estúdio e não ter a menor ideia do que vai sair dali", declarou Richards, que aos 71 anos tem um agitado calendário de shows com os Rolling Stones. 
 
Seus outros dois discos solos são "Talk is Cheap", de 1988, e "Main Offender", de 1992.


Fonte: G1

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O rock baiano atual mostra sua cara no Rio Vermelho

Produtor-ícone da cena roqueira baiana, o eterno MotorHeadBanger, Rogério Big Bross Brito parece carregar nas costas o que restou do movimento. Só isso explica a agenda cheia de shows que ele apresenta até pelo menos outubro, quando realiza mais uma edição do seu festival anual, o Big Bands. Detalhe: sem qualquer apoio (público ou privado). Melhor dizendo: há apoio, sim - mas dos interessados: bandas, casas de show, coletivos, selos independentes e frequentadores. "Tô me ocupando disso, né?", diz Big Bross. "Aproveitando o suporte do Dubliner's (Irish Pub) e ocupando outros espaços, como o Taverna (Music Bar)", conta. No Dubliner's (Irish Pub), Big comemora um ano do projeto gratuito Quanto Vale o Show?, que botou todas as terças-feiras, mais de 100 bandas para se apresentar - com as agendas de julho e agosto fechadas. Já no Taverna (Music Bar) ele abre uma série de shows Warm-Up (esquente) do Big Bands, com duas bandas baianas todas as quintas-feiras de julho. É o Noites Big Bross - Brechó, associação do seu selo ao Brechó, da banda Pastel de Miolos. "Não faço nem crowdfunding. Quem quiser contribuir pode comprar um poster  numerado  em papel especial (de uma série de 30)  ou uma camisa. A renda vai  para custear hospedagem e coisas mínimas para as bandas", diz Big Bross. "Não quero vaquinha. Vou vender esses produtos e pronto. Quem quiser reserva pelo Facebook. É tudo  sem apoio, do tamanho que a perna alcança. Até prefiro assim", afirma.

A temporada de junho do Quanto Vale o Show?, foi encerrada nesta terça, 30, com as bandas Pã e Rivermann. Para começar o Noites Big Bross - Brechó já nesta quinta, 2 de julho, tem Theatro de Seraphin e Squadro. Na próxima  terça-feira, 7 de julho, Dimazz e Eleotério Brás abrem temporada de julho do Quanto Vale... e assim por diante. Em agosto, ele traz de volta os paulistas do experiente quarteto indie Wry, que já fez grandes shows por aqui e do outro lado do Atlântico. Já em setembro Rogério Big Bross gira por quatro cidades baianas com o mestre gaúcho do punk brega, o veterano Wander Wildner.: Em Salvador dia 03 setembro, quinta 22h Dubliners Irish Pub. Feira de Santata dia 04 setembro sexta 22h Offsina Music Lounge. Na cidade de Alagoinhas, dia 05 setembro, sábado 22h Napolitano Pub e em Camaçari no domingo 06 setembro as 22h no John Sebastian Bar. Já em outubro, fialmente, o festival Big Bands de fato, que por enquanto só tem uma banda confirmada, o duo paulista Test.
Movimentar, circular:
"Tudo isso é  a necessidade de movimentar as bandas que lançamos pelo Big Bross-Brechó. Só ano passado saíram 14 discos. Esse ano já foram seis: Nalini Vasconcelos, Novelta, Calafrio, Elefantes Elegantes etc", enumera. "Tem que movimentar esse povo. Não adianta botar os discos na rua e não circular. E na medida do possivel, sempre incluo bandas do interior com as locais", acrescenta. Enquanto há quem ache que a cena de agora é inferior (ou mesmo menor) à de 15, 20 ou 30 anos, Big Bross acredita no contrário: "Hoje, ao contrário dos anos 1990, quando só tínhamos um ou dois shows por fim de semana, hoje você vai ao Rio Vermelho  e pode escolher aonde vai. O público não diminuiu: ele se dividiu", observa. "Quando comecei o Quanto Vale, achei que só banda inexperiente ia tocar. Agora temos Júlio Caldas, Lo Han e até bandas de fora", conclui.
Produtor Rogério BigBross
 Mais em: facebook.com/bigbross.bigs

Programe-se:

30 de junho: Pã e Rivermann / Dubliner’s Irish Pub / 20 horas, gratuito
2 de julho: Theatro de Seraphin e Squadro / Taverna Music Bar / 21 horas, R$ 10
7 de julho:Dimazz e Eleotério Brás / Dubliner’s  / 20 horas, gratuito
9 de julho: Decliniun (Camaçari) e Van Der Vous / Taverna  / 21 horas, R$ 10
14 de julho: Ádamas e RestGate Blues / Dubliner’s / 20 horas, gratuito
16 de julho:A Flauta Vértebra e Cartel Strip Club / Taverna / 21 horas, R$ 10
21 de julho: Noite Incubadora Sonora / Dubliner’s / 20 horas, gratuito
23 de julho: Bilic Roll e Calafrio (Feira de Santana) / Taverna  / 21 horas, R$ 10
28 de julho: TenTrio e Subaquático / Dubliner’s  / 20 horas, gratuito
30 de julho: Búfalos Vermelhos & Orchestra de Elefantes e Novelta (Feira de Santana) / Taverna Music Bar / 21 horas, R$ 10
1º de agosto: Wry (SP), Mapa e Tsunami / Dubliner’s
4, 11, 18 e 25 de agosto: Quanto Vale o Show?, com Irmão Carlos, Júlio Caldas, Noite Incubadora, Batrákia
Fonte:  A Tarde

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Raul Seixas: o mito faz 70 anos e permanece vivo, 25 anos após a morte

Se ainda estivesse vivo, o cantor e compositor Raul Seixas (1945-1989) estaria completando neste 28 de junho 70 anos de idade e entrando assim numa etapa da vida em que já encontram – ou estão em vias de ingressar – vários contemporâneos seus, igualmente ídolos da música popular brasileira. Como nos versos de um de seus primeiros sucessos, poderia continuar sendo “uma metamorfose ambulante”, sem ter “aquela velha opinião formada sobre tudo”. Ou então, contradizendo o que pregava para si mesmo na letra de outra canção, Ouro de Tolo, estar sentado “no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Morto prematuramente há quase 26 anos, Raul Seixas é um mito que permanece vivo e que a cada dia conquista novos fãs. É um ícone do rock brasileiro, que sucessivas gerações cultuam de forma espontânea, sem nenhuma estratégia de marketing neste sentido, como é comum nas últimas décadas com diversos ídolos do cenário pop mundial. "Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo de que me esqueçam”, disse Raul em uma das inúmeras fitas que deixou em seu famoso baú. Como acontece com muitos artistas, Raul Seixas tinha medo de ser esquecido e preocupado com a posteridade cultivava o curioso hábito de se autoentrevistar, gravando essas entrevistas em fitas de rolo ou cassete.

Hoje os escritos e depoimentos gravados do “maluco beleza” percorrem o Brasil na voz do ator Roberto Bontempo, que há 15 anos encena o espetáculo Raul fora da lei – a história de Raul Seixas. A peça é um musical diferente, em que não há o texto de um autor para contar a história do artista. “Tudo o que eu falo na peça são escritos do próprio Raul. E acho que é por isso que o público se identifica demais com o espetáculo, o que explica a longevidade dele”, comenta Bontempo, que nos últimos dias 19 e 20 apresentou mais uma vez no Rio, no Teatro Rival, o musical, que tem direção de Luiz Arthur Nunes e José Joffily. Fã de Raul desde jovem, o ator conta que a ideia de montar o espetáculo surgiu quando leu O Baú do Raul, livro que reúne os escritos dos diários do cantor. Organizado pela penúltima mulher de Raúl, Kika Seixas e pelo crítico musical Tárik de Souza, o livro foi lançado em 1992 e desde então já teve sucessivas edições. “Resolvi fazer o espetáculo para botar o pensamento do Raul no palco. E aí entrei em contato com a família dele, com a filha, com a Kika Seixas, com a mãe do Raul, ainda viva na época. Fui me aproximando das pessoas que conviveram com o Raul. E a partir daí fiz o roteiro do espetáculo, juntamente com os diretores,” conta Bontempo.

Para o ator, Raul Seixas foi uma pessoa muito à frente de seu tempo e isso assegura a atualidade de seus escritos, de suas ideias – como a da Sociedade Alternativa - e de suas músicas. “É uma obra atemporal. O Raul falava do universo, do mundo, de uma forma muito ampla, abrangente, metafórica e isso acaba não envelhecendo. Pelo contrário, se torna eterno”, avalia.
Nascido em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, Raul Seixas era um adolescente quando o rock surgiu no cenário musical dos anos 50 e chegou ao Brasil. Uma febre que contagiou jovens nordestinos em plena época em que o baião e seu criador, Luiz Gonzaga, predominavam nas rádios e nos bailes da região. Fascinado pelo rock e pelo gestual de Elvis Presley, o adolescente Raul assistia a todas as sessões de um filme do cantor, Balada Sangrenta (1958), em cartaz na capital baiana naquela época. Em outro estado do Nordeste, um adolescente paraibano, dois anos mais novo que Raul, via o mesmo filme com idêntica fascinação. Admirador de Raul, embora nunca tenha sido exatamente um fã dele, o cineasta Walter Carvalho – o adolescente paraibano que também curtia Elvis – veio a se tornar o diretor do documentário Raul, o início, o fim e o meio, filme biográfico sobre a obra do cantor e compositor, lançado em 2012. Convidado pela distribuidora Paramount, Carvalho, documentarista e diretor de fotografia consagrado, aceitou dirigir o filme.

“Eu não escolhi o Raul. O Raul me escolheu”, diz o cineasta, que para fazer o filme gravou mais de 250 horas de entrevistas e reuniu outras 200 imagens de arquivo. “Eu entrevistei 93 pessoas e coloquei 54 no filme. Na montagem, alternei entrevistas que falavam da vida privada de Raul com outras sobre a trajetória artística dele,” conta. Assistido por 171 mil espectadores, algo difícil de alcançar no gênero, o filme é recordista de bilheteria entre os documentários nacionais. “O filme saiu de cartaz na chamada curva ascendente, quando estava sendo exibido em 1,4 mil salas do país. Saiu para dar lugar a filmes da própria Paramount, que estavam na fila para serem exibidos”, destaca o diretor.

Com 17 discos lançados em 26 anos de uma carreira iniciada em 1968, quando ele ainda integrava a banda Os Panteras, Raul Seixas é reconhecido pela crítica musical como um dos pais do rock brasileiro. Seu estilo musical, na verdade, tem muito de rock e outro tanto de baião, gêneros que ele conseguiu unir em músicas como Let Me Sing, Let Me Sing. “Na verdade, ele é o cruzamento do Elvis Presley com o Luiz Gonzaga e o Jackson do Pandeiro”, opina Walter Carvalho, que deixou isso claro na abertura do documentário. “Não é à toa que eu decidi começar o filme com Easy Rider, um filme emblemático da contracultura, passando para o Elvis e caindo no sertão com o Luiz Gonzaga,” ressalta.

Toca Raul!
Ninguém sabe como começou, quem foi o primeiro. No meio de um show de rock, alguém gritou e isso virou um bordão, sempre repetido em shows pelo Brasil afora. De tão repetido, o Toca Raul! acabou virando em 2007 tema de uma música do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro.

“Mal eu subo no palco
Um mala um maluco já grita de lá
-Toca raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar
Mas aí eu paro penso e reflito
como é poderoso esse raulzito
Puxa vida esse cara é mesmo um mito”.

Desde 2011, o bordão dá nome a um bloco do carnaval de rua carioca, criado por um grupo de amigos para reverenciar Raul Seixas. A cada ano, o bloco Toca Rauuul! leva cerca de 20 mil pessoas ao seu desfile na Praça Tiradentes, com um repertório que atravessa todas as fases da trajetória do “maluco beleza”, em ritmos diversos.

Fenômeno de comunicação de massa, o culto a Raul tem outros rituais. Um deles é a passeata que todos os anos acontece no dia 20 de agosto – data da morte dele – em São Paulo, com os fãs saindo do Teatro Municipal em direção à Praça da Sé. “Ninguém organiza isto, é uma manifestação espontânea, as pessoas vão chegando e se juntando, já virou uma tradição”, diz Walter Carvalho, que registrou o fato em seu filme. Em agosto do ano passado, por ocasião dos 25 anos da morte de Raul, uma exposição no Teatro Sesi, no centro do Rio, apresentou fotos inéditas do artista, datadas de 1973, ano em que ele lançou o álbum Krig-ha, bandolo! e alcançou notoriedade nacional. De autoria do falecido fotógrafo Cláudio Fortuna, as fotos mostravam o gestual marcante do cantor, no show de lançamento do álbum, em 16 de outubro daquele ano, no então Teatro Tereza Rachel, em Copacabana.

A exposição foi a execução de um sonho para sua curadora, Kika Seixas. Fortuna foi o responsável por levar naquele dia a então jovem ao show do artista do qual se tornaria fã e com quem viria a se casar anos depois. “O show me impressionou muito. Assisti 11 vezes. Ainda naquele ano, fui morar fora do Brasil e voltei em 1977, para trabalhar na gravadora Warner, da qual Raul era contratado. Em 1979, dei uma carona pra ele e foi amor à primeira vista. A gente ficou junto durante cinco anos, até 1985, quando nos separamos”, conta Kika, guardião do Baú do Raul e a única das cinco mulheres do cantor a manter uma ligaçao direta com a obra do artista.

O depoimento de Paulo Coelho, parceiro de Raul Seixas entre 1973 e 1978, numa relação conflitante - “éramos amigos e inimigos íntimos”, disse o escritor numa entrevista em 2007 – é um dos momentos mais marcantes do filme de Walter Carvalho. O cineasta considera a mosca que apareceu de repente durante o depoimento o equivalente, para um documentarista, à sorte que um goleiro tem ao agarrar um pênalti. “Foi difícil a entrevista. O Paulo, que mora em Genebra, na Suíça, tem muitos compromissos na agenda e já considerei um tento ele concordar em fazer a entrevista. No meio, aparece uma mosca [coisa rara em Genebra] e o Paulo diz: 'É o Raul...Essa eu não vou matar'. Mas ele acaba matando a mosca, e isso para mim revela a relação de conflito entre os dois”.

O reencontro de Paulo Coelho com Raul Seixas se deu numa das últimas apresentações do roqueiro, quatro meses antes de sua morte, em um show no Canecão, no Rio de Janeiro. O escritor, que estava na plateia, subiu ao palco e cantou com Raul o refrão "Viva, viva, a Sociedade Alternativa". No depoimento para o filme, Paulo Coelho diz que não há como explicar o mito em torno do cantor: “O Raul é uma lenda, e lenda não se explica”.

Para Walter Carvalho, se ainda vivesse Raul Seixas continuaria sendo a metamorfose ambulante, a mosca na sopa. “Eu comparo ele com outro baiano, Glauber Rocha, que se não tivesse morrido cedo também continuaria com o seu espírito provocador. Os dois faziam parte de um mesmo tipo: o artista da contestação que mesmo envelhecendo mantêm a irreverência em relação à questão política e à questão mercadológica.”.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Baby do Brasil e Pepeu Gomes tocam juntos no Rock in Rio

Pedro, Baby e Pepeu (Foto: Cristina Boeckel)

Depois de 27 anos sem fazer show juntos, Baby do Brasil e Pepeu Gomes estarão no mesmo palco. O reencontro acontece dia 20 de setembro no Palco Sunset, na edição de 30 anos do Rock in Rio.

O responsável pela reunião dos artistas, que foram casados por 18 anos, foi o filho do casal, Pedro Baby. A ideia surgiu depois que o curador do palco, Zé Ricardo, sugeriu que Baby tivesse um convidado.

No mesmo dia, ainda rolam os shows de John Legend, Magic! e Alice Caymmi + Eumir Deodato, no Palco Sunset. Já no Palco Mundo as atrações são Rod Stewart, Elton John, Seal e Paralamas do Sucesso.


Fonte: Ligado a Musica

Maps